jusbrasil.com.br
21 de Junho de 2018
    Adicione tópicos

    PMDB ameaça barrar ida de ministro de Dilma para STF

    Folha Política
    Publicado por Folha Política
    há 4 anos

    Imagem: Reprodução / Veja Cotado para uma vaga no Supremo Tribunal Federal, o ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, virou alvo de líderes do PMDB no Congresso, que trabalham para barrar sua indicação para a vaga aberta com a aposentadoria de Joaquim Barbosa.

    Os senadores José Sarney (AP), Eunício Oliveira (CE), Lobão Filho (MA) e seu pai, o ministro de Minas e Energia, Edison Lobão, ficaram incomodados com ações da Polícia Federal que atingiram líderes do partido durante a campanha eleitoral deste ano.

    Leia também:

    Lula quer indicar pelo menos três ministros do próximo mandato de Dilma

    'O STF corre o risco de tornar-se uma corte bolivariana, isso tem de ser denunciado', diz ministro Gilmar Mendes

    Advogados pedem impeachment de Dias Toffoli

    Até 2018, PT terá indicado 10 de 11 ministros do STF

    Alerto o Brasil que este é só o 1º passo, diz Joaquim Barbosa após absolvição no STF

    Gilmar Mendes ironiza Dilma por querer que a Justiça não funcione em período eleitoral

    Eles se queixam da atuação de Cardozo, a quem a PF é subordinada, e sinalizaram ao Palácio do Planalto que seu nome será rejeitado no Senado se a presidente Dilma Rousseff indicá-lo para o STF. Principal aliado do governo no Congresso, o PMDB tem a maior bancada no Senado.

    A irritação dos líderes peemedebistas teve início em setembro, quando reclamaram do tratamento dado pela campanha de Dilma ao partido nos Estados. Eunício concorreu ao governo do Ceará e Lobão Filho, ao do Maranhão. Os dois foram derrotados.

    OPERAÇÃO LAVA JATO

    Os peemedebistas também culparam o Planalto pelo vazamentos de detalhes das investigações da Operação Lava Jato que colocaram integrantes da cúpula do partido entre os suspeitos de receber propina de empresas que fizeram negócios com a Petrobras.

    O ex-diretor da estatal Paulo Roberto Costa, que fez acordo com a Justiça Federal para colaborar com as investigações, apontou Lobão, o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), e o da Câmara, Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN) entre outros beneficiários do esquema.

    Durante a campanha, a PF revistou a mulher de Eunício Oliveira num aeroporto de Fortaleza, antes de ela embarcar num jato executivo rumo a um evento de campanha. Lobão Filho foi abordado pela PF no aeroporto de Imperatriz (MA), também quando se preparava para embarcar numa viagem de campanha com assessores.

    Os policiais revistaram o avião, carros e bagagens da comitiva de Lobão Filho. Após o episódio, o vice-presidente da República, Michel Temer, e Renan Calheiros criticaram a atuação da polícia.

    O secretário nacional de Justiça, Paulo Abrão, subordinado de Cardozo, chegou a gravar um depoimento para a campanha de Flávio Dino (PCdoB), que derrotou Lobão Filho nas eleições. Como o PT apoiava Lobão Filho, o secretário vetou o uso das imagens.

    O Senado nunca rejeitou uma indicação presidencial para o STF. Os líderes do PMDB ameaçam vetar Cardozo se ele for escolhido por Dilma, mas não estão trabalhando por nenhum outro nome.

    Leia também:

    Ex-advogado do PT assume presidência do Tribunal Superior Eleitoral

    Toffoli propõe anistiar os processos que o TSE não julgou

    Advogado de mensaleiro é nomeado para o Tribunal Eleitoral de São Paulo

    Dilma nomeia para o Tribunal Superior Eleitoral os ex-advogados do PT

    Fotos flagram presidente dos Correios fazendo campanha para Dilma

    Em nota pública, Associação dos Profissionais dos Correios confirma o aparelhamento da instituição

    Se houver lei no país, TSE deve cassar candidatura de Dilma, diz Reinaldo Azevedo

    Como presidente, Lewandowski passa menos de uma hora no Palácio do Planalto

    Lewandowski interferiu em processo para acobertar irregularidade de Dilma

    Vice-presidente do STF alerta para 'a fúria que ganha as ruas' pela falência do Estado brasileiro

    DESAVENÇAS

    Além da animosidade com o PMDB, o ministro da Justiça também tem desavenças com outro cotado para a vaga no STF, o advogado-geral da União, Luís Inácio Adams.

    Durante a operação Porto Seguro da PF, Adams foi surpreendido quando um de seus principais colaboradores na AGU, José Weber Holanda, foi apontado como participante de um esquema de venda de pareceres técnicos.

    A situação criou desgaste político para Adams, uma vez que um procedimento investigativo também foi aberto contra ele. O mesmo foi arquivado em agosto de 2013, quando o Ministério Público afirmou que Adams não fez parte do esquema e nada havia contra ele a ser apurado.

    A vaga que Dilma tem para preencher no STF foi aberta com a aposentadoria do ex-ministro Joaquim Barbosa, em, julho. Ela não tem prazo para escolher, mas deve fazê-lo até o fim deste ano.

    Além de Cardozo e Adams, são cotados para a vaga o professor da USP Heleno Torres, o professor da Universidade Federal do Paraná Luiz Fachin, o ministro do STJ Benedito Gonçalves, o sub-procurador da República Eugênio Aragão, o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, e o presidente da OAB, Marcus Vinícius Furtado Côelho.

    Veja também:

    Severino Motta e Andréia Sadi

    Folha de S. Paulo

    0 Comentários

    Faça um comentário construtivo para esse documento.

    Não use muitas letras maiúsculas, isso denota "GRITAR" ;)