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14 de Outubro de 2019

O perfil de Marco Archer por um jornalista que conversou com ele 4 dias na prisão

Folha Política
Publicado por Folha Política
há 5 anos

O reporter Renan Antunes de Oliveira entrevistou Marco Archer em 2005, numa prisão na Indonésia. Abaixo, seu relato:

O carioca Marco Archer Cardoso Moreira viveu 17 anos em Ipanema, 25 traficando drogas pelo mundo e 11 em cadeias da Indonésia, até morrer fuzilado, aos 53, neste sábado (17), por sentença da Justiça deste país muçulmano.

Durante quatro dias de entrevista em Tangerang, em 2005, ele se abriu para mim: "Sou traficante, traficante e traficante, só traficante".

Demonstrou até uma ponta de orgulho: "Nunca tive um emprego diferente na vida". Contou que tomou "todo tipo de droga que existe".

Naquela hora estava desafiante, parecia acreditar que conseguiria reverter a sentença de morte.

Marco sabia as regras do país quando foi preso no aeroporto da capital Jakarta, em 2003, com 13,4 quilos de cocaína escondidos dentro dos tubos de sua asa delta. Ele morou na ilha indonésia de Bali por 15 anos, falava bem a língua bahasa e sentiu que a parada seria dura.

Tanto sabia que fugiu do flagrante. Mas acabou recapturado 15 dias depois, quando tentava escapar para o Timor do Leste. Foi processado, condenado, se disse arrependido. Pediu clemência através de Lula, Dilma, Anistia Internacional e até do papa Francisco, sem sucesso. O fuzilamento como punição para crimes é apoiado por quase 70% do povo de lá.

Na mídia brasileira, Marco foi alternadamente apresentado como "um garoto carioca" (apesar dos 42 anos no momento da prisão), ou "instrutor de asa delta", neste caso um hobby transformado na profissão que ele nunca exerceu.

Para Rodrigo Muxfeldt Gularte, 42, o outro brasileiro condenado por tráfico, que espera fuzilamento para fevereiro, companheiro de cela dele em Tangerang, "Marco teve uma vida que merece ser filmada".

Rodrigo até ofereceu um roteiro sobre o amigo à cineasta curitibana Laurinha Dalcanale, exaltando: "Ele fez coisas extraordinárias, incríveis."

O repórter pediu um exemplo: "Viajou pelo mundo todo, teve um monte de mulheres, foi nos lugares mais finos, comeu nos melhores restaurantes, tudo só no glamour, nunca usou uma arma, o cara é demais."

Para amigos em liberdade que trabalharam para soltá-lo, o que aconteceu teria sido "apenas um erro" do qual ele estaria arrependido.

Na versão mais nobre, seria a tentativa desesperada de obter dinheiro para pagar uma conta de hospital pendurada em Cingapura - Marco estaria preocupado em não deixar o nome sujo naquele país. A conta derivou de uma longa temporada no hospital depois de um acidente de asa delta. Ter sobrevivido deu a ele, segundo os amigos, um incrível sentimento de invulnerabilidade.

Ele jamais se livrou das sequelas. Cheio de pinos nas pernas, andava com dificuldade, o que não o impediu de fugir espetacularmente no aeroporto quando os policiais descobriram cocaína em sua asa delta.

Arriscou tudo ali. Um alerta de bomba reforçara a vigilância no aeroporto. Ele chegou a pensar em largar no aeroporto a cocaína que transportava e ir embora, mas decidiu correr o risco.

Com sua ficha corrida, a campanha pela sua liberdade nunca decolou das redes sociais. A mãe dele, dona Carolina, conseguiu o apoio inicial de Fernando Gabeira, na Câmara Federal, com voto contra de Jair Bolsonaro.

O Itamaraty e a presidência se mexeram cada vez que alguma câmera de TV foi ligada, mesmo sabendo da inutilidade do esforço.

Mesmo aparentemente confiante, ele deixava transparecer que tudo seria inútil, porque falava sempre no passado, em tom resignado: "Não posso me queixar da vida que levei".

Marco me contou que começou no tráfico ainda na adolescência, diretamente com os cartéis colombianos, levando coca de Medellín para o Rio de Janeiro. Adulto, era um dos capos de Bali, onde conquistou fama de um sujeito carismático e bem humorado.

A paradisíaca Bali é um dos principais mercados de cocaína do mundo graças a turistas ocidentais ricos que vão lá em busca de uma vida hedonista: praias deslumbrantes, droga fácil, farta - e cara.

O quilo da coca nos países produtores, como Peru e Bolívia, custa 1 000 dólares. No Brasil, cerca de 5 000. Em Bali, a mesma coca é negociada a preços que variam entre 20 000 e 90 000 dólares, dependendo da oferta. Numa temporada de escassez, por conta da prisão de vários traficantes, o quilo chegou a 300 000 dólares.

Por ser um dos destinos prediletos de surfistas e praticantes de asa delta, e pela possibilidade de lucros fabulosos, Bali atrai traficantes como Marco. Eles se passam por pessoas em busca de grandes ondas, e costumam carregar o contrabando no interior das pranchas de surf e das asas deltas. Archer foi pego assim. Tinha à mão, sempre que desembarcava nos aeroportos, um álbum de fotos que o mostrava voando, o que de fato fazia.

O homem preso por narcotráfico passou a maior parte da entrevista comigo chapado. O consumo de drogas em Tangerang era uma banalidade.

Pirado, Marco fazia planos mirabolantes - como encomendar de um amigo carioca uma nova asa, para quando saísse da cadeia.

Nos momentos de consciência, mostrava que estava focado na grande batalha: "Vou fazer de tudo para sair vivo desta".

Marco era um traficante tarimbado: "Nunca fiz nada na vida, exceto viver do tráfico." Gabava-se de não ter servido ao Exército, nem pagar imposto de renda. Nunca teve talão de cheques e ironizava da única vez numa urna: "Minha mãe me pediu para votar no Fernando Collor".

A cocaína que ele levava na asa tinha sido comprada em Iquitos, no Peru, por 8 mil dólares o quilo, bancada por um traficante norte-americano, com quem dividiria os lucros se a operação tivesse dado certo: a cotação da época da mercadoria em Bali era de 3,5 milhões de dólares.

Marco me contou, às gargalhadas, sua "épica jornada" com a asa cheia de drogas pelos rios da Amazônia, misturado com inocentes turistas americanos. "Nenhum suspeitou". Enfim chegou a Manaus, de onde embarcou para Jakarta: "Sair do Brasil foi moleza, nossa fiscalização era uma piada".

Na chegada, com certeza ele viu no aeroporto indonésio um enorme cartaz avisando: "Hukuman berta bagi pembana narkotik'', a política nacional de punir severamente o narcotráfico.

"Ora, em todo lugar do mundo existem leis para serem quebradas", me disse, mostrando sua peculiar maneira de ver as coisas:"Se eu fosse respeitar leis nunca teria vivido o que vivi".

Ele desafiou o repórter:" Você não faria a mesma coisa pelos 3,5 milhões de dólares "?

Para ele, o dinheiro valia o risco:" A venda em Bali iria me deixar bem de vida para sempre "- na ocasião, ele não falou em contas hospitalares penduradas.

Marco parecia exagerar no número de vezes que cruzou fronteiras pelo mundo como mula de drogas:" Fiz mais de mil gols ". Com o dinheiro fácil manteve apartamentos em Bali, Hawai e Holanda, sempre abertos aos amigos:" Nunca me perguntaram de onde vinha o dinheiro pras nossas baladas ".

Marco guardava na cadeia uma pasta preta com fotos de lindas mulheres, carrões e dos apartamentos luxuosos, que seriam aqueles onde ele supostamente teria vivido no auge da carreira de traficante.

Num de seus giros pelo mundo ele fez um cursinho de chef na Suíça, o que foi de utilidade em Tangerang. Às vezes, cozinhava para o comandante da cadeia, em troca de regalias.

Eu o vi servindo salmão, arroz à piemontesa e leite achocolatado com castanhas para sobremesa. O fornecedor dos alimentos era Dênis, um ex-preso tornado amigão, que trazia os suprimentos fresquinhos do supermercado Hypermart.

Marco queria contar como era esta vida" fantástica "e se preparou para botar um diário na internet. Queria contratar um videomaker para acompanhar seus dias. Negociava exclusividade na cobertura jornalística, queria escrever um livro com sua experiência - o que mais tarde aconteceu, pela pena de um jornalista de São Paulo. Um amigo prepara um documentário em vídeo para eternizá-lo.

Foi um dos personagens de destaque de um bestseller da jornalista australiana Kathryn Bonella sobre a vida glamurosa dos traficantes em Bali - orgias, modelos ávidas por festas e drogas depois de sessões de fotos, mansões cinematográficas.

Diplomatas se mexeram nos bastidores para tentar comprar uma saída honrosa para Marco. Usaram desde a ajuda brasileira às vítimas do tsunami até oferta de incremento no comércio, sem sucesso. Os indonésios fecharam o balcão de negócios.

O assessor internacional de Dilma, Marco Aurélio Garcia, disse que o fuzilamento deixa"uma sombra"nas relações bilaterais, mas na lateral deles o pessoal não tá nem aí.

A mãe dele, dona Carolina, funcionária pública estadual no Rio, se empenhou enquanto deu para livrar o 'garotão' da enrascada, até morrer de câncer, em 2010.

As visitas dela em Tangerang eram uma festa para o staff da prisão, pra quem dava dinheiro e presentes, na tentativa de aliviar a barra para o filhão.

Com este empurrão da mamãe Marco reinou em Tangerang, nos primeiros anos - até ser transferido para outras cadeias, à espera da execução.

Eu o vi sendo atendido por presos pobres que lhe serviam de garçons, pedicures, faxineiros. Sua cela tinha TV, vídeo, som, ventilador, bonsais e, melhor ainda, portas abertas para um jardim onde ele mantinha peixes num laguinho. Quando ia lá, dona Carola dormia na cama do filho.

Marco bebia cerveja geladinha fornecida por chefões locais que estavam noutro pavilhão. Namorava uma bonita presa conhecida por Dragão de Komodo. Como ela vinha da ala feminina, os dois usavam a sala do comandante para se encontrar.

A malandragem carioca ajudou enquanto ele teve dinheiro. Ele fazia sua parte esbanjando bom humor. Por todos os relatos de diplomatas, familiares e jornalistas que o viram na cadeia de tempos em tempos, Marco, apelidado Curumim em Ipanema, sempre se mostrou para cima. E mantinha a forma malhando muito.

Para ele, a balada era permanente. Nos últimos anos teve várias mordomias, como celular e até acesso à internet, onde postou algumas cenas.

Um clip dele circulou nos últimos dias - sempre sereno, dizendo-se arrependido, pedindo a segunda chance:" Acho que não mereço ser fuzilado ".

Marco chegou ao último dia de vida com boa aparência, pelo menos conforme as imagens exibidas no Jornal Hoje, da Globo. Mas tinha perdido quase todos os dentes em sua temporada na prisão, como relatou a jornalista e escritora australiana. No Facebook, ela disse guardar boas recordações de Archer, e criticou a" barbárie "do fuzilamento.

Numa gravação por telefone, ele ainda dava conselhos aos mais jovens, avisando que drogas só podem levar à morte ou à prisão.

Sua voz estava firme, parecia esperar um milagre, mesmo faltando apenas 120 minutos pra enfrentar o pelotão de fuzilamento - a se confirmar, deixou esta vida com o bom humor intacto, resignado.

Sabe-se que ele pediu uma garrafa de uísque Chivas Regal na última refeição e que uma tia teria lhe levado um pote de doce-de-leite.

O arrependimento manifestado nas últimas horas pode ser o reflexo de 11 anos encarcerado. Afinal, as pessoas mudam. Ou pode ter sido encenação. Só ele poderia responder.

Para mim, o homem só disse que estava arrependido de uma única coisa: de ter embalado mal a droga, permitindo a descoberta pela polícia no aeroporto.

" Tava tudo pronto pra ser a viagem da minha vida ", começou, ao relatar seu infortúnio.

Foi assim: no desembarque em Jakarta, meteu o equipamento no raio x. A asa dele tinha cinco tubos, três de alumínio e dois de carbono. Este é mais rijo e impermeável aos raios:" Meu mundo caiu por causa de um guardinha desgraçado ", reclamou.

"O cara perguntou 'por que a foto do tubo saía preta'? Eu respondi que era da natureza do carbono. Aí ele puxou um canivete, bateu no alumínio, fez tim tim, bateu no carbono, fez tom tom".

O som revelou que o tubo estava carregado, encerrando a bem-sucedida carreira de 25 anos no narcotráfico.

Marco ainda conseguiu dar um drible nos guardas. Enquanto eles buscavam as ferramentas, ele se esgueirou para fora do aeroporto, pegou um prosaico táxi e sumiu. Depois de 15 dias pulando de ilha em ilha no arquipélago indonésio passou sua última noite em liberdade num barraco de pescador, em Lombok, a poucas braçadas de mar da liberdade.

Acordou cercado por vários policiais, de armas apontadas. Suplicou em bahasa que tivessem misericórdia dele.

No sábado, enfrentou pela última vez a mesma polícia, mas desta vez o pessoal estava cumprindo ordens de atirar para matar.

Foi o fim do Curumim.

Fonte: DCM

176 Comentários

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Não precisa dizer mais nada quando a maior defensora de bandidos que já pistou neste país disse "ele não era herói, era traficante".

E bom, quem já havia lido esta biografia antes, sabe que o Varzil só passou vergonha internacionalmente. O anão diplomático, mais uma vez, em uma tentativa ridícula de interferir na soberania e quebrar o ordenamento jurídico de outro país, querendo criar uma exceção, tal qual existe aqui, onde quem é amigo do governo não paga pelos crimes cometidos.
O país, não satisfeito, moveu mundos e fundos para obstar uma execução legal e prevista em lei. Tentou livrar a pelé de um traficante com quase 3 décadas de história e reiterada conduta criminosa em busca de vida fácil, dinheiro fácil e em grandes montantes, para suprir e manter seus luxos e caprichos, como apartamentos no Hawai e na Europa, patrocinando festas para os amigos, tudo regado com muitas drogas e bebidas caras e muito luxo, chegando ao ponto de dizer "na hora das baladas ninguém perguntava de onde vinha o dinheiro."
Nas palavras do próprio, "por 3,5 milhões de dólares você não iria?"

Só digo uma coisa, menos um! continuar lendo

Nessa época em que o hedonismo é a tônica da sociedade, em que se “viralizam” slogans como “o importante é ser feliz!” são comercializadas legal e ilegalmente as drogas para propiciar a felicidade: são as pílulas da felicidade instantânea, os cigarros, as bebidas, etc. Estamos lidando com o prazer humano e tirar a droga de um usuário é tirar o prazer dele. É como impedi-lo de "ser feliz" ou, pelo menos, impedi-lo de afastar as suas dores e a sua infelicidade.

O usuário irá buscar a droga onde ela for disponibilizada e, se existe procura vai existir oferta. Aplica-se a proibição das drogas que acelera a lógica de mercado: maior a procura, maior a o risco, maior o risco maior o preço, maior o preço, maior o lucro e o círculo econômico se fecha.

Marcos era o que se chama “mula” do tráfico. O traficante do topo e os demais elementos da intrincada rede gira milhões e possivelmente nem tem tanto contato com a droga física em si. O tráfico faz girar globalmente mais de 1 bilhão de dólares/mês. Esse dinheiro não está na comunidade miserável e de excluídos, está nas contas financeiras da elite do tráfico e rolando provavelmente nas altas rodas da sociedade, no meio artístico, político, empresarial, etc..

Existe uma distância entre o que é moral e a legalidade, Marcos infringiu a lei, isto é fato, mas certamente os consumidores da droga, com base no valor que o levou a traficar lá, não eram os pobres da indonésia e sim os que mantêm suas vidas financeiras e sociais intactas, usando o afastamento da ilegalidade para usufruir da sua porção de ilegalidade.

Condenando o "mula" a morte o Estado indonésio parece ter cometido uma insanidade, tal a desproporção punitiva com relação à infração. Principalmente porque, segundo informações jornalísticas, a Indonésia libertou em torno de 300 terroristas islamitas em 2013 e 2014.

A convivência com as drogas parece ser algo inevitável, porque acabar com essa prática com uso da truculência é o que estimula à violência civil e o tráfico de armas, a corrupção, a prostituição, tráfico de pessoas e de influência e outros crimes, inclusive hediondos (ou tão hediondos quanto) . Haja vista o que acontece no Brasil onde o combate as drogas fazem do Brasil um dos países do topo da violência mundial.

Apesar da arrogância do "mula" brasileiro ao dizer em viva voz na gravação veiculada na TV "Eu mereço uma chance!" ao invés de ter a humildade de reconhecer o grave erro e implorar por uma chance de manter a vida. Mostrou, com essa atitude, que aparentemente não houve arrependimento algum dele e se fosse solto é possível que continuasse servindo ao crime organizado em outros países.

Por outro lado, pedir transformação da pena de morte em pena de prisão perpétua é jogar a conta no contribuinte indonésio para mantê-lo vivo nas prisões. O pedido da presidente Dilma soou para alguns como demagógico já que o governo é acusado de omisso com relação a políticas públicas que visem à diminuição da violência urbana no Brasil.

Nessas horas manifestam-se os apologistas da pena capital, que não são poucos. Internautas que defendem essa pena, de modo insuflado, achando que realmente a pena de morte é a solução para as mazelas sociais. Será que esses mesmos indivíduos, que provavelmente em sua grande maioria, sequer tem a coragem de matar um frango, um porco ou um boi porque compram a carne desses animais nos mercados já embalados como se nunca tivesse sido sacrificado um ser vivo para aplacar a sua fome, teriam a coragem de pegar uma arma e tirar a vida de outro ser humano mesmo tendo ele cometido um crime considerado hediondo? É possível que tomado pela emoção, no caso de um envolvimento direto, como vítima, um ente querido até tenham essa coragem, ou no meio de uma multidão revoltada fosse fazer essa “justiça fatal”. Mas convenhamos, se essa disposição fosse real, há muito e independente do Estado e da proibição das armas, essas pessoas teriam se agrupado e estariam promovendo esse tipo de “justiciamento”.

Quando o cidadão pretende que o Estado mate em seu nome, assume uma parcela a morte desse infrator desconhecido e que não o afeta diretamente na maior parte das ocasiões. O afastamento da ação é a mãe da “consciência tranquila”. O Estado matou. A bala o matou. A própria arma de fogo gera um afastamento entre o matador e sua vítima. Mas no fundo não se pode afastar a responsabilidade. Quem defende a pena de morte deve saber que quando o Estado mata em nome de justiça, é como se o cidadão que corrobora com esse tipo de pena, estivesse empunhando a faca que entrará nas entranhas do criminoso que via de regra serão negros e pobres, pelo que podemos inferir da cultura brasileira.

E pior, porque quem mais comete crime hediondo são aqueles que praticam o desvio de verbas públicas (nome bonitinho esse “desvio”, mas que se trata roubo, mesmo). E esses desvios matam crianças nos hospitais, tiram as oportunidades dos jovens em estudar e melhorar de vida, impede a fiscalização de remédios falsificados que matam inocentes, não permitem o combate efetivo a criminalidade, prejudicam a mobilidade urbana, etc., enfim, roubam a saúde do cidadão honesto e trabalhador que poderia usufruir muito mais do produto de seu esforço pessoal propiciando-lhe maior longevidade e qualidade de vida.

Entendo que, talvez se o pedido presidencial fosse acompanhado por oferta compensatória de uma soma para mantê-lo vivo, por exemplo, a U$ 3.000,00 mensais por 40 anos, a pena tivesse sido alterada. 12 x 3 x 40 = U$ 1.440. 000,00. Contudo, sendo transformada em reais a serem pagos pelo contribuinte brasileiro, daria um montante de 1.440.000, 00 x 2,70 = R$ 3.888.000,00.

Contudo, surgiria daí, talvez inevitavelmente, a pergunta que então se seguiria: O contribuinte brasileiro estaria disposto a pagar tal soma para mudar a pena do cidadão brasileiro criminoso ou essa soma poderia ser investida para salvar vida de pacientes inocentes em hospitais, vacinações infantis, educação, etc.?
Sim é lamentável que as leis para o crime de tráfico "levaetraz" lá sejam essas tão desproporcionais. Marcos arriscou e perdeu. Pagou com a sua morte.

Todavia, só poderia ser cogitado o envolvimento de uma compensação em dinheiro no pedido da presidência do Brasil, apenas para mostrar compreensão com a situação do cidadão comum indonésio, que não tem esse direito de comutação de pena de morte em prisão perpétua para crimes desse tipo. É possível que tal comutação da pena implicasse em um forte movimento para mexer com todo o complexo sistema penal deles, o que aparentemente as autoridades de lá não desejam nesse momento. Nesse caso, seria injusta uma concessão dessa monta a um cidadão estrangeiro e a aplicação dura e fria do fuzilamento aos nacionais. continuar lendo

Olha só o que o cara respondeu na entrevista:

Durante quatro dias de entrevista em Tangerang, em 2005, ele se abriu para mim: "Sou traficante, traficante e traficante, só traficante".
Demonstrou até uma ponta de orgulho: "Nunca tive um emprego diferente na vida".

E ainda tem gente que foi a favor do cara, pediram até pro papa interferir e chamaram o embaixador para ca.
Pode ??? continuar lendo

Beleza, Legal, correto.
Tudo tem um começo.
Já começaram a matar brasileiro que nao presta. Demorou.
Tomara que a moda pegue e aos traficantes se somem os políticos ladrões e os ratos das estatais.
Se precisar de nomes, é só ler a VEJA toda semana.
Matando uns dez por dia, em dois anos brasilia tá dedetizada. continuar lendo

Essa é para o José Pedro Vilardi: dois anos? você é otimista...Brincadeira, concordo com com você, mas achei o prazo muito curto... continuar lendo

é que já sou velho, e minha expectativa de idade impõe que eu veja em dois anos esta turma toda morta, já que na cadeia o lewandowsky dá a eles a chance de ficarem fora.
- peço a Deus que no máximo 2 (dois) anos, esta turma morra ou seja posta pra fora. continuar lendo

A então esta aí a verdade que poucos sabiam.... Este texto deveria ser exposto na rede Globo, afinal quando as repórteres com olhar assustado ao mesmo tempo indignadas, claro por estarem acostumadas a ver traficantes de facções livres depois de alguns anos se depararam com um fuzilamento muito bem aplicado!, ficaram horrorizadas, então agora sabemos quantos seres humanos foram destruídos por ele ao longo de sua carreira criminosa, e o pior para nosso esgarçado país, a presidente se dar a esse papel ridículo e na intenção de bancar a heroína que sabemos com segundas intenções a fim de angariar votos foi contra a maioria dos brasileiros que achavam correta a execussão até então!!!! continuar lendo

Enquanto isso, aqui, os mesmos que queriam livrar o filhinho de mamãe que só sabia traficar estão dizendo que é preciso "arrochar" nos impostos.
Afinal, quem vai pagar a conta dos estádios de futebol não-terminados, dos viadutos caídos, do Metrô de São Paulo, do dinheiroduto da Petrobrás, do cinismo da política brasileira e da criminalidade, com a qual eles fazem samba, pagode, futebol e esse lixo desse "funk"?
Não nos esqueçamos: é preciso financiar as Olimpíadas em 2016.
O capítulo mais recente da novela do que chamam "democracia brasileira" ainda não acabou.
Vamos ver se nós, nossos filhos, a escola, a lei, a ciência, a ética e a moral sobreviverão. continuar lendo

Meu amigo, é dever constitucional defender a CF federal do Brasil, tb por meio diplomáticos, entre estes direitos, o daliberdade e o direito a vida. Portanto vc jamis verá um diplomata brasileiro com juízo defender um pena de morte para brasileiro, seria inconstitucional. Uma idiotice inconstitucional como vc diz, um diplomata ou a presidente defender a pena de morte de um brasileiro. continuar lendo

Marco Archer foi pra Jacarta e já é carta fora do baralho... continuar lendo

"Meu mundo caiu por causa de um guardinha desgraçado". Um guardinha que era zeloso em seus deveres derrubou a carreira de 25 anos de um grande traficante! O destino sorriu para o diligente. continuar lendo

Kkkkkk, eu já não tinha dó desse cidadão, agora então KKKkkkk.

Quer saber, podem me repreender, mais bem feito, abraçou o capeta mais cedo. Como ele não tinha nada, era uma mosca nesse mundão, não sabia o que era ter um filho ou um parente invernado nessa merda da droga.

Só espero que esse episódio e essa narrativa sirva para desmistificar o romantismo que encaram o tráfico no Brasil pela classe pensante (Gabeiras, Willys e Tutti quanti). Que os verdadeiros brasileiros tenham em mente que somente uma repressão séria, não essa que só pune policiais, pode diminuir essa porcaria. continuar lendo

Fala sério, é inocente mesmo, aqui no Brasil policial só é PUNIDO quando a TV marca em cima. Acorda. continuar lendo

Eu só gostaria de ter dito a oportunidade de ter feito uma pergunta a esse traficante que foi executado na Indonésia: Quantas vezes antes de ser preso traficou e se ele tinha noção de quantos jovens e crianças suas drogas mataram e quantos ainda vivem sob a dependência das drogas que vendeu? . continuar lendo

Se essa Lei fosse aplicada no Brasil...
Se a quantidade de drogas que circula é muito maior do que é apreendida, é preciso secar a fonte. Além da Tríplice Fronteira, outra preocupação da polícia são os portos. Em Paranaguá, por exemplo, foram apreendidos 4 toneladas de cocaína dentro de contêineres, em fevereiro do ano passado. Segundo Mesquita, os policiais localizaram o produto porque tinham a informação de onde estavam. Se dependesse dos scanners para ver o que está dentro dos contêineres sem abri-los, talvez, essa cocaína já teria sido até consumida mundo afora.

“O resultado do scanner [quando passaram pelo contêiner] era negativo. Se não tiver tecnologia e inteligência...”, lembra.

Para o presidente da seção pa­­ra­­naense da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), José Lúcio Glomb, é necessário lembrar que os portos precisam de segurança mais consistente. “A educação e saúde, a atividade de inteligência [policial] tem que ser integrada com vigilância da fronteira e nos portos”, ressalta. Na opinião de Glomb, outro ponto importante é a fiscalização na indústria química. “Também devem ter uma atenção especial”. Para que a cocaína seja produzida, junto da folha da coca, são necessários insumos químicos, produto de uma indústria forte no país continuar lendo

detalhe né Jorge Luiz Amantea Sabella: "são amigos" que iniciam.... continuar lendo

Respondendo a Jorge Luiz Amantea Sabella: Justamente por ter um poder de destruição rápida e ser altamente viciante que a cocaína é considerada uma "droga ilícita". Os danos pelo uso viciante de cocaína são muito mais rápidos e mortais do que o álcool e conservantes que há em alimentos.
Há "drogas lícitas" como o cigarro e o álcool ou qualquer produto conservante de alimentos" e há as ilícitas. Estas últimas, além de destruírem mais e com maior rapidez o cérebro, alcançam preços exorbitantes e são fruto da cobiça dos que as vendem. Bebida, aspartame e cigarros não são caros porque são drogas lícitas. Se o uso da cocaína for liberado o preço cai e o tráfico acaba. Porém há o problema do dano imediato aos neurônios cerebrais e o mal que podem causar os que estão sob os efeitos dessa droga, inclusive coragem para fazer bobagens e cometer crimes. continuar lendo

Hei de concordar com o colega Pericles. Muito se fala em liberação, mas a discussão acerca dos efeitos das drogas sobre os jovens (inclusive a maconha, que, dentre outros efeitos nefastos, sabidamente aumente, em muito ,as chances do usuário jovem desenvolver síndrome do pânico) é parca, quase como se não existissem. A proibição é o muro que busca impedir as almas impetuosas e imaturas de cairem num abismo sem volta.

Nascemos com o mero direito à liberdadade, que deve ser conquistada com evolução moral e material; o grande erro da atual geração de pais é pensar o contrário. Se não houver imposição de limites no processo de amadurecimento, o resultado é um boçal feito este que foi recentemente executado. continuar lendo